Você sabia que os protocolos de sincronização da ovulação (IATF) não alteram a fisiologia da vaca?

por Renato Girotto 3.009 views0

gado

Diante do novo cenário da pecuária moderna, a palavra de ordem é conciliar produtividade com sustentabilidade, produzir mais, porém com menor consumo dos recursos naturais. O uso biotécnicas reprodutivas, como a IATF, tornou-se uma ferramenta indispensável e mostrou-se altamente eficiente para melhoria dos índices de produtividade de uma propriedade.

Hoje o Brasil se destaca como um dos principais “players” para coordenar esta nova tendência mundial, pois reúne todas as condições necessárias para ser a principal fonte de alimento para Mundo, porém, há muito para ser feito.

Atualmente o intervalo entre partos observado no Brasil é de 18 meses. Isso se deve ao fato de os animais apresentarem alta incidência de anestro pós-parto que é um período no qual o animal não apresenta sinais de cio após a parição do bezerro. Esse intervalo entre partos aumentado faz com que a taxa de desmama (número de bezerros desmamados em relação ao número de matrizes em fase reprodutiva) no Brasil seja de aproximadamente 65% (46,5 milhões de bezerros produzidos e 70 milhões de fêmeas acima de 2 anos; Anualpec, 2009). O objetivo da inseminação em tempo fixo é diminuir o intervalo entre partos (o ideal seria de 12 meses) e dessa forma aumentar a eficiência reprodutiva da pecuária.  Assim, seria possível aumentar a produção de carne e leite na mesma área que já é destinada para essa finalidade, ou ainda, manter a produção em uma área menor.

A inseminação em tempo fixo consiste numa série de tratamentos farmacológicos baseados em hormônios que são produzidos pelas próprias vacas. A dose administrada nesses tratamentos promove picos plasmáticos iguais ou menores que os atingidos fisiologicamente. A progesterona liberada pelo corpo lúteo chega a níveis aproximados de 7ng/mL de sangue (Bloch et al., 2006), que é similar a liberação de um dispositivo intravaginal de contendo 1,0 grama progesterona (Maio et al., 2008; Sincrogest). O mesmo ocorre com o estradiol, pois se observam níveis de aproximadamente 10ng/mL em fêmeas suplementadas com estradiol (Souza et al., 2005) similar a fêmea em cio (Busch et. al. 2008).

Dessa forma, pode-se inferir que os tratamentos hormonais não alteram os valores fisiológicos dos animais. O efeito se dá pela suplementação do hormônio correto no momento em que ele estaria agindo. Esse tratamento apenas adianta o retorno do animal ao estagio de ciclicidade (presença de cios) por estimular o animal está em anestro por falha nutricional.

Portanto, admite-se que o uso de hormônios, com a finalidade de estimular a ciclicidade e incrementar os índices reprodutivos e produtivos de uma propriedade, tornou-se um forte aliado para pecuária contemporânea, gerando maior produtividade com o mínimo de impactos ao meio ambiente.

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