Qual protocolo utilizar?

por Gabriel Crepaldi 14.037 views0

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Caros criadores, todos os anos durante o planejamento para a próxima estação de monta nos deparamos com as seguintes perguntas: Qual protocolo devo utilizar esse ano? Qual é o protocolo que me propiciará maior taxa de prenhez?

Quando abordo esse questionamento, não me refiro aos produtos que serão utilizados, mas em qual momento eles o serão. Todas as empresas fornecem produtos de boa qualidade, deve-se considerar apenas suas corretas ação e dosagem. Normalmente a escolha pela empresa inicia pelo preço, mas em relações comerciais mais maduras, não é esse o principal fator de definição. A qualidade do atendimento, principalmente no pós-venda, prestando a assessoria/consultoria necessária em momentos mais difíceis é um aspecto importante a ser considerado.

Qual protocolo utilizar?

Existem opções!

Com relação aos protocolos, em si, as próprias empresas ajudam a criar certos “mitos” de que existem protocolos milagrosos ou infalíveis. Os protocolos funcionam muito bem desde que respeitados cuidados básicos como a categoria animal (novilhas, vacas paridas ou vacas solteiras), maneira de aplicação, horários e conservação dos fármacos. Diversos trabalhos, alguns bastante recentes, da estação de monta 2015/2016 e outros antigos, com mais de 10 anos indicam que muitos protocolos funcionam com resultados bastante similares quando aplicado de maneira correta. Deve-se salientar que existem protocolos específicos para novilhas e vacas solteira ou para vacas paridas. Isso ocorre porque normalmente, as primeiras estão ciclando enquanto a últimas está em anestro.

Portanto, a principal razão para escolher qual protocolo utilizar deve ser o manejo da fazenda. Qual protocolo atende melhor sua equipe em relação a dias e horários? Qual protocolo te proporcionará o resultado adequado com menos despesa ou investimento de mão de obra?

Três ou quatro manejos?

Quando se opta por protocolos de 4 manejos ao invés de 3 para obtenção o mesmo resultado, investe-se 33% mais tempo dos colaboradores para fazer o mesmo trabalho com o mesmo resultado. Vale lembrar que a aplicação de um produto apenas é um manejo bem rápido. Porém, considerando o tempo que se pode gastar para ir até o pasto trazer os animais, apartar os bezerros, preparar-se para realizar o manejo, realizá-lo e levar os animais novamente para o pasto, pode-se ocupar praticamente um período de trabalho da equipe. Há situações em que a queda antecipada da progesterona é benéfica e, nessas situações específicas, pode-se optar por aumentar um manejo ou uma dose de prostaglandina no protocolo.

Oito ou nove dias de implante?

Outra dúvida é com relação a duração do protocolo, se terá 8 ou 9 dias de duração do implante, o que seria 10 ou 11 dias de duração total. O raciocínio é o mesmo. Ambos apresentam a mesma expectativa de prenhez, portanto use a que melhor atender o seu manejo em relação aos dias de trabalho e, porque não, utilizar os dois dentro da estação de acordo com a necessidade. Lembro que tanto os protocolos com de 8 como os de 9 dias podem ser realizados com 3 manejos sem prejuízo para os resultados.

Com ECG ou sem ECG? E o FSH?

A eCG é um medicamento que atua como a apólice de seguros da IATF. Pode não ser sempre necessário, mas quando for, ele estará lá para assegurar resultados (não para fazer milagres). Sua ação é minimizar ao máximo o efeito do anestro (não apresentação de cios) após o parto. A eCG, dessa maneira, auxilia em situações onde o balanço energético está abaixo do desejado, quando o período pós-parto é precoce (menor que 60 dias) e também onde pode haver excesso de progesterona (novilhas ou vacas ciclando). Como trabalha-se com vacas a partir de 30 dias e normalmente, em balanço energético negativo devido ao início da lactação, o uso da eCG faz-se necessário.

Muitos trabalhos mostram que o FSH não pode substituir a eCG nos protocolos de IATF. Alguns (poucos) indicam que podem. Dessa maneira, a indicação é de que não se substitui a eCG por FSH em protocolos de IATF, em qualquer que seja o protocolo utilizado.

Como definir o protocolo?

Ninguém conhece melhor o funcionamento da sua fazenda do que você e sua equipe. Portanto, uma discussão quanto a horário de aplicação de medicamentos, quantidade de manejos, dias a serem trabalhados (é possível evitar os domingos, ou mesmo, sábados e domingos, dependendo do tamanho da propriedade e quantidade de currais) será a melhor maneira para definir o protocolo da próxima estação. Aproveitem que os manejos da estação que se encerra ainda estão na memória e conversem sobre as dificuldades e os acertos ocorridos.

Como indicações gerais, respeitem os horários dos protocolos escolhidos, tomem cuidado com as doses dos medicamentos e com quem os aplica, usem sempre eCG, peçam suporte a quem puder ajuda-los, sempre que for preciso e, o mais importante, tome as decisões baseado no que for melhor para a fazenda. Com esses cuidados, os resultados virão com o menor desgaste necessário.

Grande abraço,

M.V. Msc. Gabriel Crepaldi

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