IATF EM BLOCO, MITO OU REALIDADE?

por Gabriel Crepaldi 10.761 views0

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Em virtude da ampla divulgação de uma “nova tecnologia” associada ao aumento de 20% nos resultados de IATF, achamos por bem esclarecer alguns pontos:

É possível que surja um avanço na técnica com incremento de resultado sobre o que atingimos atualmente, contudo é preciso ter cuidado com a maneira que elas são abordadas. A técnica em questão trata de alguns pontos já conhecidos como a maior prenhez relacionada ao maior diâmetro do folículo dominante no momento da IATF. Contudo, algumas informações são inferidas para justificar tal aumento e outras são negligenciadas. É verdade que o óvulo tem vida bastante curta no ambiente uterino, com 6 a 8 horas de viabilidade. Porém, bons ejaculados podem passar de 30 horas de viabilidade, podendo o espermatozoide aguardar a chegada do óvulo para a fecundação. É por esse motivo que o melhor intervalo seria inseminar entre 14 e 22 horas antes da ovulação.

Com relação à dinâmica de ovulação citada, diversos trabalhos mostram que quando usamos indutores de ovulação, não existe a relação citada entre diâmetro folicular e momento da ovulação (antecipação ou atraso). Além disso, na dispersão citada, é mínima a quantidade de ovulações que acontecem após as 84 horas da retirada do implante (na verdade, a grande parte ocorre até as 72 horas).

Deve-se considerar também que na nova técnica não são inseminados animais com folículos menores que 8mm. É verdade que a taxa de concepção diminui nesses animais diminuindo a taxa de prenhez. Porém, ao não os inseminar sua chance de prenhez cai de aproximadamente 30% para 0. Essa não inseminação de alguns animais pode induzir à confusão de índices, comparando concepção (animais prenhes dentre as inseminadas) com prenhez (animais prenhes dentre todas as sincronizadas).

Para se ter certeza de que a técnica pode incrementar resultados, deveria ser feito o seguinte comparativo:

Bloco 0 – IA no momento convencional vs. IA no momento da nova técnica (na verdade essas Ias são no mesmo momento)

Bloco 1 – IA no momento convencional vs. IA no momento da nova técnica (não acredito que haja diferença entre eles porque estão dentro da indicação de IATF convencional)

Bloco 2 – IA no momento convencional vs. IA no momento da nova técnica (supostamente aqui se iniciam as diferenças)

Bloco 3 – IA no momento convencional vs. IA no momento da nova técnica (esse seria o motivo da diferença maior)

Bloco 5 – IA no momento convencional vs. IA no momento da nova técnica (na nova técnica não indica inseminar esses animais mas eles devem ser comparados para determinar a prenhez)

Falando do aspecto prático, cada lote teria 4 momentos diferentes para ser inseminado. Existe viabilidade em se fazer isso? O máximo que poderia ser feito é um lote de 100 animais por semana, de acordo com a recomendação da nova técnica.

Avaliando os aspectos acima citados, conclui-se que novos estudos devem ser realizados antes da divulgação e aplicação em massa dessa nova técnica. Isso deve ser feito para evitar que possíveis diferenças encontradas por outros motivos (como por exemplo, acharmos um filho excepcional de um touro ruim de prova) não sejam encaradas como verdade absoluta. Além disso, deve-se avaliar a possibilidade de aumentar significativamente o número de manejos por lote em programas de IATF.

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